Era uma sexta-feira. Uma sexta atípica. Ali estava eu, de malas prontas, e com dispensa do serviço. Era meio dia. Um dia de meia estação, nem calor nem frio. Na escada do meu prédio, eu e minha mãe esperávamos os demais para irmos em direção ao aeroporto internacional Hercílio Luz, em Florianópolis.
Meio dia e trinta, meu tio apareceu em nossa casa. No carro, além das malas estava minha tia e meus dois primos. Viajamos em seis. Uma hora e um pouco mais de estrada entre Tubarão e Florianópolis. Quase mais de uma hora parados na Via Expressa, quando fazíamos o caminho do aeroporto, que fica na ilha de Santa Catarina.
Mesmo com o clima de felicidade estampado em nossos rostos, esconder o estresse por ficarmos parados no trânsito não foi tão difícil. A todo o momento eu queria saber de onde as pessoas que usam a única ligação do continente com a ilha tiram paciência para enfrentar o congestionamento. Sinceramente não pude descobrir.
De qualquer forma esse é um problema enfrentado por diversos moradores de grandes cidades. E com o aumento da frota de veículos esse caos só vai aumentar. Mas voltando à nossa ida ao aeroporto, quando chegamos ao destino, fomos muito bem recebidos pela empresa de estacionamento, que gentilmente nos levou em uma van para o aeroporto.
O vôo de Florianópolis para o Rio de Janeiro saiu na hora. Nem um minuto de atraso. O único sentimento que não perdi foi o frio na barriga cada vez que o avião decola. Aquele frio por voar, algo que não é natural do ser humano. E lá fomos nós, com medo de o detector de metais apitar para alguém. Ano passado minha mãe sofreu, foi obrigada a tirar até os sapatos para poder passar. Esse ano foi a vez da minha tia ser retida pela funcionária da Infraero.
Durante a viagem, tudo foi tranqüilo, de acordo com os padrões. O avião levantou vôo, a aeromoça serviu balas de chocolate para os passageiros. Os comissários de bordo ofereceram pão quente com queijo e refrigerante para quem estivesse com fome.
Ao chegar no Galeão, após um pouco mais de uma hora de vôo, meu corpo sentiu um alívio por pisar em terra firme. Já meus olhos brilharam com a imensidão daquele lugar. Pela primeira vez, pessoas com plaquinhas com meu sobrenome escrito me esperavam no saguão, e uma van me esperava para levar ao hotel.
Quando entramos na condução que nos levaria até Copacabana, o motorista logo nos alertou:
- Se preparem, o trânsito ta complicado. Acho que em uma hora a gente chega lá.
O motorista era um homem com aparência de uns 40 ou 45 anos. Tinha a pele escura e não era natural do Rio. Como ele contou, veio do nordeste em busca de uma vida na metrópole, mas hoje pretende voltar para a terra natal.
A nossa guia turística também aparentava ter a idade do motorista. Mas ao contrário dele, tinha a pele e os cabelos claros, e era carioca. Tinha o sotaque forte e não parava de falar. Cada lugar pelo qual passávamos, ela explicava alguma coisa.
Durante o trajeto da Ilha do Governador, onde o aeroporto Galeão está instalado, e a praia de Copacabana, nós precisávamos passar pela tão famosa Linha Vermelha. Famosa por cortar duas favelas e por ser um local com freqüentes assaltos e balas perdidas. Para coibir a onda de violência do local, o governo do Rio de Janeiro mascarou as favelas. Contornando a estrada, um extenso corredor com vidros blindados de alguns metros de altura foram erguidos para que as comunidades não avancem umas nas outras. Dessa forma, as balas perdidas não atingem os motoristas que por ali passam.
Quem vai para o Rio e visita apenas os pontos turísticos, pensa que tudo é uma maravilha. Como já diria a famosa música: “Cidade Maravilhosa.” Não digo que o Rio de Janeiro não seja maravilhoso, mas não é apenas de pontos bonitos que a cidade é feita. Para cada lado que se olhe, uma favela pode ser vista aos pés dos morros. A paisagem se mescla com construções lindas de bairros como Ipanema, Leblon, Copacabana, com casas construídas uma ao lado da outra de uma maneira bem precária nas encostas dos morros.
São duas cidades, que parecem pertencer a mundos diferentes, uma ao lado da outra. O mesmo lugar que recebe turistas do mundo inteiro também abriga pessoas que não tem dinheiro para poder conhecer os pontos turísticos da própria cidade.
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Autora
- Angelica Brunatto
- Jornalista, 22 anos. Apaixonada por inglês e fotografia. Curte um pouco do espanhol e é louca por tudo o que acontece na internet. Ah, e tem uma veia artística um pouco escondida........ angelica.brunatto@hotmail.com














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