A saída de Tubarão estava prevista para as três e meia da tarde. Tempo suficiente para arrumar as malas e ir para Floripa. A viagem pareceu mais longa que as demais. No carro meus tios, minha mãe, minha prima e eu. O sol brilhava enquanto fazíamos o caminho rumo ao norte. A parada no Engenho é obrigatória. Cinco e meia da tarde e nós cinco estávamos sentados degustando pastéis, risolis e bolos na lanchonete de beira de estrada.
A chegada em São José, cidade vizinha à Florianópolis e onde passamos a noite, foi por volta das seis da tarde. Ao chegar ao hotel pedimos um táxi. Pegamos as chaves do quarto, deixamos as malas. Ao descer a telefone toca:
- Foram vocês que pediram um táxi? – era o recepcionista que avisava a chegada do motorista.
- Isso, nós mesmo. Já estamos descendo – respondi educadamente.
Dois táxis e 15 reais para cada motorista, resultado da corrida até o Estádio Orlando Scarpelli. No percurso, conversando com o taxista, descobrimos que todos naquele carro já moramos na mesma cidade:
- Eu morei em Tubarão. Na rua Laguna, em Oficinas – revela o taxista, cujo nome não recordo. Ele usava óculos escuros, que pude ver pelo espelho de retrovisor, e tinha os cabelos grisalhos.
Ele nos deixou em frente ao portão das arquibancadas cobertas. Saí e agradeci pela corrida. A fila que se formava já era grande. Apesar do relógio marcar sete horas da noite, o sol ainda brilhava no céu da capital catarinense. Ao redor do estádio os diversos caminhões que trouxeram os equipamentos para o show estavam estacionados. Havia também muita sujeira no chão, com propagandas de outras festas que estão por vir.
Cambistas e comércio ambulante não faltava por ali. Por todos os lados havia gente vendendo camisetas personalizadas e bebidas. Mas policiamento também não faltava. Em cada esquina havia pelos menos dois policiais militares.
Foto: Diego Redel
Na catraca uma pessoa recolhia o ingresso, e um policial militar fazia companhia. Na minha frente, uma mulher foi obrigada a esvaziar a mochila, já que era proibido entrar com qualquer tipo de alimento no evento. Quando foi a minha vez de entrar o menino que também cuidava da entrada olhou para a bolsa onde estava a minha máquina fotográfica:
- Não pode entrar com bala e nem chicletes. Se tiver tem que esvaziar.
A minha bolsa era tão pequena que não cabia nada além da máquina e as pilhas reservas:
- Mas não tenho moço – respondi de forma educada.
Sentamos nos nossos lugares às sete e meia da noite. Havia poucas pessoas nas arquibancadas cobertas. Dali podia ver a pista Golden e a Premiun. Além da pista normal, as cadeiras laterais e as frontais. Com o passar do tempo os lugares vazios ao meu redor foram sendo ocupados. Onde no sábado a bola rolava no jogo do Figueirense, ontem estava tomado por fãs dos Black Eyed Peas. A grama foi toda tapada por uma espécie de piso. Mas a trave do gol ainda estava lá, o que me fez lembrar que ali era um estádio de futebol.
Foram duas horas de espera pelo início da apresentação do grupo americano. Enquanto o DJ animava quem já estava presente, com músicas de hip-hop, as pessoas das arquibancadas brincavam de “olé”. Todos, sem exceção levantaram e se abaixaram formando uma espécie de onda de gente.
Foto: Cassiano Ferraz
O show dos Black Eyed Peas estava marcado para começar às nove horas da noite. Trinta e cinco minutos depois do horário marcado, o quarteto subiu ao palco. Um espetáculo para os olhos. Luz, figurino e coreografia perfeitos. Para abrir a apresentação Let`s Get Started. Nada melhor. Como diz a letra: “Vamos começar, yeah”. Músicas de toda a história do grupo foram interpretadas nas duas horas de show.
Em Where Is The Love, Will.I.am pediu para que as luzes fossem apagadas e que todos colocassem os celulares no ar. Uma cena bonita de se ver. Um mar de luzes no Orlando Scarpelli e um coral cantando o refrão da canção. Músicas como Don`t Phunk With My Heart e My Humps também agitaram a plateia.
Em Imma Be, Fergie terminou a música com a frase: “Vocês podem ser que vocês quiserem!”. Arriscando algumas palavras em português Will.I.am disse “Floripa, Floripa, meninas bonitas”, durante uma das canções do show. Dançarinas entraram no palco vestidas como sambistas quando começou a música Mais Que Nada.
Cada um dos integrantes teve um momento de destaque no espetáculo. Nele cada um ocupou o palco sozinho durante algum tempo. Fergie entrou cantando Fergielicious e Big Girls Don`t Cry. Um coro de vozes femininas tomou conta do estádio no refrão dessa música. Já Will.I.am assumiu as pick-ups. Ele entrou vestindo uma armadura que refletia as luzes do show.
Antes de I Gott A Feeling, Will.I.am olhou para o público e começou a falar sobre comprar uma casa no Brasil. Uma delas, segundo o cantor, seria no Rio, já a outra ele estava em dúvida entre Florianópolis ou Bahia. Assim, quando pronunciou em português bem claro “Um momento, I gott a feeling”, o público todo continuou a música. Assim foi o fim do espetáculo de luz, som, coreografias e figurinos.
Um grande evento que mobilizou muitas pessoas. Marcou e vai ficar na memória de Florianópolis, e das diversas pessoas que vieram de longe para ver o grupo norte americano se apresentar.















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