O perfil já está desatualizado quando conto que a meta do jogador é atingir os 100 gols pelo time de futsal da Unisul. Quando escrevi o texto, há algumas semanas, o pivô ainda não tinha completado o desafio. No último jogo (17/11/2010) contra o time de Capivari de Baixo, Deives colocou para dentro do gol a bola de número 100.
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Quando os ponteiros do relógio marcaram três e meia da tarde, o jogador camisa dez da Unisul/Seguridade entrou no Ginásio Salgadão. Naquele momento eu estava concentrada nas perguntas que iria fazer e olhava fixamente para a quadra. O local estava vazio, exceto pelas quatro pessoas que faziam a limpeza. Entretanto, minutos antes, nos meus olhos passava o filme do último jogo que presenciei.
As mesmas arquibancadas vazias, na época, estavam repletas de torcedores. O barulho dentro do ginásio era intenso. Na quadra os jogadores se aqueciam. De um lado o time da casa, de outro o visitante. A imprensa tubaronense se preparava para a transmissão da partida. Eu podia ver radialistas e a equipe de televisão local se posicionando minutos antes do árbitro dar o sinal de início.
A bola rolava de um lado para o outro, o jogo era rápido. Cada vez que o árbitro decretava uma pausa na partida, o cronômetro congelava. Pessoas de diferentes idades pulavam e gritavam de alegria a cada gol que o time da cidade marcava no placar.
Enquanto eu esperava o pivô do time da Unisul/Seguridade chegar no local combinado, comecei a lembrar do estacionamento do ginásio lotado de carros, principalmente em noites de jogos pela Liga Futsal. Diversas equipes já vieram disputar uma partida no Ginásio Salgadão, em muitas delas o time da casa ganhou, mas em outras veio a derrota. Lembrei também das pessoas que aproveitam os dias de jogos para ganhar um dinheiro extra no orçamento do final do mês. Na porta do Salgadão, sempre há gente vendendo pipoca e refrigerante, além dos churrasquinhos de gato.
Entre os jogadores daquela partida, e de outras que já presenciei, estava um dos destaques da Liga e jogador da Seleção Brasileira de Futsal. O camisa dez da Unisul/Seguridade entrou no ginásio trajando uma bermuda e uma camiseta, roupa diferente do uniforme azul e branco que eu estava acostumada a ver nas partidas. Arranhando um sotaque gaúcho, ele olha pra mim e diz com um sorriso no rosto:
- Oi. Deives. Prazer.
Deives Moraes joga pelo time de Tubarão desde o início de 2009. Natural de São Leopoldo, Rio Grande do Sul, chegou aqui após voltar da Espanha, onde jogou por um ano e meio no clube Benicarló. Na estadia foi obrigado a se adaptar com os costumes locais e principalmente com o idioma espanhol.
- Em questão profissional foi muito bom. Eu fui eleito pela imprensa o jogador revelação, isso aí para minha carreira foi bem bacana – relembra, enquanto estava sentado nas arquibancadas do ginásio.
O currículo de Deives é extenso. Ele joga bola desde os seis anos de idade, e sempre foi incentivado pelo pai. Aos 18 saiu de casa para jogar futsal. O jogador foi para Porto Alegre, depois de ter sido convidado para jogar pelo Internacional. Também passou pelo time da Ulbra, em Canoas, e teve uma passagem rápida pela Cortiana/UCS em Caxias do Sul.
São raras as vezes que viaja para o Rio Grande do Sul, já que segue uma puxada rotina de treinos diários e viaja para disputar diversas partidas com o time de futsal de Tubarão.
- Jogador não pode fazer planos. - explica enquanto se dirigia ao Freezer da sala de fisioterapia. Ele pega um saco com transparente com gelo e completa – Gelo faz parte da rotina do jogador. A gente vive com a dor.
A dor é resultado dos treinos diários enfrentados pelos atletas. Na Unisul/Seguridade os treinos iniciam por volta das 9h30 da manhã e seguem até o meio dia. Para estar disposto, o jogador levanta cedo e toma um café da manhã reforçado antes de seguir para o ginásio. Durante a tarde, mais e mais treinos.
A relação do pivô com os demais colegas de time é boa. Os atletas procuram interagir entre si, e reúnem-se algumas vezes no tempo livre. Segundo o jogador, essa atividade é boa e o entrosamento auxilia também no resultado dentro da quadra.
Nos quase dois anos que joga pela Unisul, Deives pretende atingir uma meta pessoal: marcar 100 gols vestindo a camisa do time. Até agora já foram 93 lances que deram certo.
- Eu acho que eu vou conseguir. Seria uma marca que nenhum outro atleta que passou pela Unisul conseguiu fazer – revela o jogador, que nessa altura conversava comigo na sala de fisioterapia do ginásio, já que o barulho emitido pela máquina de limpeza da quadra não permitia que conversássemos com clareza.
O grande número de gols marcados o fez ser destaque nacional na Liga Futsal. Deives foi apontado como artilheiro da competição. Mas, também, a alta média de gols o fez ser lembrado pelo técnico Pipoca, responsável pela Seleção Brasileira de Futsal. Em agosto o jogador gaúcho teve a primeira oportunidade de defender o Brasil em jogos de Futsal contra a Argentina. Em outubro, Deives foi convocado pela segunda vez para compor a equipe da seleção nos jogos de novembro.
- Acho que ele acabou gostando do que viu lá na primeira oportunidade e agora resolveu me chamar de novo. Eu espero estar buscando sempre o espaço e fazer sempre o melhor – garante Deives.
Mas mesmo levando o futsal como profissão desde cedo, o atleta do Rio Grande do Sul, nunca abandou os estudos. Para ele é essencial que qualquer pessoa do meio esportivo não deixe os estudos de lado. Enquanto cursava o ensino médio, conciliar os treinos com a escola era mais complicado. Sentado na arquibancada do ginásio vazio ele relembra que treinava em horários diferenciados para poder ir ao colégio regularmente.
Hoje, com 25 anos, Deives estuda Processos Gerenciais. Cursa o segundo semestre, mas teme perder por causa das várias faltas que teve, principalmente dos jogos da Unisul e as partidas da Seleção. Entretanto revela com firmeza que hoje em dia a prioridade na vida dele é o futsal, mas que pretende se graduar na faculdade.
Um das principais preocupações do jogador é manter a boa imagem. Quando eu o pergunto se já passou pela cabeça que ele pode ser o ídolo de alguém, ele me responde:
- Inclusive já me disseram isso.
Deives passa a imagem de uma boa pessoa e procura fazer coisas para que só se fale bem dele. Segundo o jogador, um ídolo deve passar um bom exemplo. Quando pequeno um dos maiores ídolos do esporte para ele era Ortiz, a mesma pessoa que o convidou para jogar nos times da grande Porto Alegre.
- Eu lembro que, na época, esses jogadores tinham tênis com o nome deles. O pai já comprava tênis dos jogadores pra incentivar mesmo – lembra.
O futsal hoje na vida de Deives Moraes é tudo. São poucos os momentos de folga em que pode passar um tempo livre com a esposa. A vida de um jogador é bastante puxada, mas no fim, para ele, tudo é recompensado. São os gritos da torcida, os gols marcados, a ida para a seleção brasileira e reconhecimento de um trabalho por todo o país.
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Autora
- Angelica Brunatto
- Jornalista, 22 anos. Apaixonada por inglês e fotografia. Curte um pouco do espanhol e é louca por tudo o que acontece na internet. Ah, e tem uma veia artística um pouco escondida........ angelica.brunatto@hotmail.com












MUITO legal a matéria :D parabééns pela produção ANgélica.. bem criativa.. e qto ao Deives, um ícone para o futsal tubaronense. Merece as conquistas, e tem muito a alcançar. Um profissional, com muito talento.Parabééns Deives, torço muito por ti
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