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domingo, 16 de outubro de 2011

[dica literária] - A Sangue Frio

Quando se começa a estudar jornalismo, muito se preza pela emoção nas histórias. Muito também se fala em novas maneiras de contar histórias, humanizar os fatos. Mas quando o jornalista luta contra o dead-line (prazo final para fechar a edição do jornal), fica complicado escrever tudo aqui que teria quer ser dito.

O periódico, também, não possibilita que a história seja contada com todos os detalhes. E para driblar esse obstáculo, muitos jornalistas escrevem reportagens em livros. Eles passam anos escrevendo até a história ficar completa.

Um exemplo muito comentado nas salas de aula é A Sangue Frio - Relato verdadeiro de um homicídio e suas múltiplas consequências.

Truman Capote, um jornalista americano,  vai atrás de um assassinato em uma pequena cidade em Kansas, Estados Unidos, após ver uma pequena nota publicada no jornal. O autor vive a história e vai atrás dos mais diversos relatos para levar o fato à revista The New Yorker.

A Sangue Frio, no entanto, é catalogado como romance-reportagem. Há relatos que dizem que Capote inventou parte da história, ou relatos de fontes. Mas, mesmo assim, é um marco do New Journalism, quando surgiu uma nova forma de escrever matérias.


A SANGUE FRIO 


Editora: Companhia das Letras
ISBN: 9788535904116
Lançamento: 2003
Autor: Truman Capot

Sinopse:


O americano Truman Capote foi um escritor versátil: produziu textos de qualidade em vários gêneros (contos, peças, reportagens, adaptações para TV e roteiros para filmes). Mas sua grande obra foi o romance-reportagem A sangue frio, que conta a história da morte de toda a família Clutter, em Holcomb, Kansas, e dos autores da chacina.
Capote decidiu escrever sobre o assunto ao ler no jornal a notícia do assassinato da família, em 1959. Quase seis anos depois, em 1965, a história foi publicada em quatro partes na revista The New Yorker. Além de narrar o extermínio do fazendeiro Herbert Clutter, de sua esposa Bonnie e dos filhos Nancy e Kenyon - uma típica família americana dos anos 50, pacata e integrada à comunidade -, o livro reconstitui a trajetória dos assassinos. Perry Smith e Dick Hikcock planejaram o crime acreditando que se apropriariam de uma fortuna, mas não encontraram praticamente nada.
Perry era um sonhador. Teve criação conturbada e violenta, e achava que a vida lhe tinha dado golpes injustos. Dick, considerado o cérebro da dupla, queria apenas arrebatar o dinheiro e desaparecer. Presos e condenados, ambos morreram na forca em 1965.
Publicado no mesmo ano da execução dos assassinos, A sangue frio rapidamente se tornou um sucesso de crítica e vendas, rendendo alguns milhões de dólares ao autor. A intensa relação que Capote estabeleceu com suas fontes foi determinante para o êxito da obra. Além de passar mais de um ano na região de Holcomb, investigando e conversando com moradores, ele se aproximou dos criminosos e conquistou sua confiança. Traçou um perfil humano e eloqüente dos dois "meninos", como costumava chamá-los. 
Por seu estilo que combina a precisão factual com a força emotiva da criação artística - um romance de não-ficção, nas palavras do próprio autor -, A sangue frio é um marco na história do jornalismo e da literatura dos Estados Unidos. Reflexão sutil sobre as ambigüidades do sistema judicial do país, o texto desvenda o lado obscuro do sonho americano.

terça-feira, 24 de maio de 2011

[resenha] Uma história de amor, guerra e espionagem



O CASO ROSEMBERG, 50 anos depois

Editora: Conex
ISBN: 8575940163
Lançamento: 2003
Autor: Assef Kfouri


Sinopse: 

O jornalista Assef Kfouri conta em detalhes a vida, as atividades de espionagem, a prisão, o julgamento e a execução do casal de judeus nova-iorquinos Julius e Ethel Rosenberg, numa narrativa envolvente, feita a partir de extensas pesquisas em livros, periódicos, documentos governamentais, transcrições processuais e entrevistas.(Fonte: Site Livraria Cultura)

Resenha por mim:

A Guerra Fria deixou o mundo aflito. Era uma época que ninguém sabia se estaria vivo no outro dia. Tempos em que os Estados Unidos e a extinta União Soviética eram inimigos. O mundo estava em conflito. E ninguém sabia exatamente quando o pesadelo ia terminar.
A América vivia nos anos dourados. O sonho americano. E foi nessa época que um casal de judeus foi julgado por cometer um crime, que segundo as autoridades da época, era pior que o assassinato de outra pessoa. Julius e Ethel Rosenberg foram acusados de espionagem nos Estados Unidos.

O Casal Rosenberg negou até o último momento da vida que espionava os projetos de bomba atômica dos Estados Unidos e Mandava informações para a extinta União Soviética. Ethel e Julius Rosenberg trabalhavam em prol de uma ideologia. E por ela lutaram. O casal tinha dois filhos pequenos, mas mesmo assim continuavam negando a participação no crime, e foram levados até a cadeira elétrica.

Tudo isso é retratado no livro de Assef Kfouri. Com uma narrativa detalhada, o autor consegue expressar os sentimentos e as ações dos personagens. Mesmo sendo escrito 50 anos após o julgamento, Assef coloca o autor dentro de cada cena, cada gesto e cada ação dos personagens. Durante o julgamento, todas as falas são descritas e rigorosamente, o que faz o leitor viajar e se por no tribunal.

Assef Kfouri nos faz questionar se o casal Rosenberg era ou não inocente. Ethel e Julius foram desvendados por causa do irmão da mulher, que contou às autoridades sobre a espionagem. Assef Kfouri foi atrás de documentos para contar a história do crime, que ficou conhecida em todo o mundo. O Casal Rosenberg é então condenado à cadeira elétrica, considerados culpados pelas autoridades. Mesmo se declarando inocentes, a história verdadeira vem à tona há pouco, quando em um livro publicado o autor fala sobre o envolvimento do casal no crime.

O Caso Rosenberg 50 anos depois não é só importante para conhecer a história do casal espião. Mas para entendermos o cenário mundial da época e podermos nos situar melhor na sociedade atual.
 
Angelica Brunatto © 2012 | Adaptado por Angelica Brunatto.